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Cinema e Teatro

Chanel sem Coco

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A cineasta Anne Fontaine possuía um personagem valioso nas mãos. Todo o ideal revolucionário, a vida consideravelmente desregrada para os padrões do período entre guerras, e o inegável legado que deixou para as gerações futuras, fazem de Gabrielle Chanel, ou Coco, como é mais conhecida, uma figura dramática de peso, capaz de garantir o material necessário para a criação de uma obra prima da sétima arte. O aguardado filme “Coco Antes de Chanel”, recém saído dos cinemas brasileiros, é o retrato de uma personalidade absolutamente monocromática, sem o dinamismo da figura original.

Acompanhando a história da estilista desde o momento em que foi deixada, ao lado da irmã, num orfanato da França, a cinebiografia segue os fatos mais importantes da vida de Coco, e apresenta ao público uma mulher que jamais se conformou com a posição feminina estipulada pelas regras da época. De cantora desafinada de cabaré, passando por amásia de um influente aristocrata, até conseguir lançar sua primeira coleção de roupas, Coco oferece lições valiosas de perseverança e determinação. A falha do filme está, talvez, na completa observância à tradição cinematográfica de tratar como heróis personalidades controversas e um tanto mais profundas do que os rasgos de qualidade exibidos possam supor.

Todo o roteiro do longa, escrito também pela diretora, acaba deixando de lado qualquer traço mais humano que um script mais elaborado poderia, satisfatoriamente, inserir na trama. “Coco Antes de Chanel” termina por parece um tanto superficial, e ao invés de derrubar definitivamente o argumento de que a moda é a representação maior da futilidade humana, acaba convergindo para a mesma opinião, visto que quaisquer sentimentos mais profundos da personagem são descartados.

Analisar o duplo trabalho de Anne Fontaine é uma atividade interessante. Enquanto seu roteiro poderia ser melhorado, sua direção é certeira e original. Acompanhando a elegância da personagem, a diretora faz um filme charmoso e belamente filmado. Dividir o trabalho com um roteirista competente, talvez, fosse uma boa ideia para suas próximas produções.

Se a direção merece elogios, os demais aspectos técnicos do filme estão no mesmo patamar. A fotografia e a edição são de encher os olhos, e os responsáveis pela trilha sonora fizeram um trabalho magistral. O conjunto de seus trabalhos transformou “Coco Antes de Chanel” num deleite estético, de bom gosto inegável.

O elenco cumpre seu papel da melhor maneira possível, e Audrey Tautou está excelente como Coco. A atriz estudou a forma de se portar e os trejeitos da estilista, e oferece ao público uma das melhores atuações de sua carreira. O belga Benoît Poelvoorde, no papel do aristocrata que hospeda a estilista durante sua tentativa de êxito na cidade grande, destoa um pouco da sóbria elegância da produção, e atua de forma exagerada e um tanto caricata. Se os excessos são características peculiares do personagem em questão, porém, sua atuação foi competente.

“Coco Antes de Chanel” poderia ter alçado Anne Fontaine ao sucesso indiscutível, de crítica e de público, mas seu roteiro deficiente e incompleto ao tratar com superficialidade um dos nomes mais influentes do século 20, colocou a diretora numa desconfortável posição, e seu filme no alvo de críticas ferozes. Apesar do prejuízo, o longa agrada esteticamente e torna um pouco mais pública a vida da estilista mais famosa da história da moda.

Por: Jáder Santana, jornalista e colaborador do site Outro Lado da Notícia
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Nachtergaele sem festa e sem graça

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Colocar Matheus Nachtergaele em uma posição privilegiada entre os atores da nova geração do cinema brasileiro é, sem dúvida, justo. Desde sua estréia em 1997, com o drama "Anahy de las Misiones", passando por grandes títulos da cinematografia nacional, como "O Que É Isso, Companheiro?" (1997), "Central do Brasil" (1998), "O Auto da Compadecida"(2000), "Cidade de Deus" (2002) e "Narradores de Javé" (2003), Nachtergaele recebeu importantes prêmios e consolidou sua carreira como uma das mais respeitadas dentro do mercado cinematográfico.

Em 2003, trabalhando com o pernambucano Cláudio Assis, e com um orçamento de 500 mil reais, Nachtergaele deu vida ao afeminado Dunga, e atuou em um filme que foi tratado por muitos como o mais cru retrato da classe suburbana brasileira. "Amarelo Manga" não abordou brigas de gangues e perseguições policiais pelas ruas vertiginosas das favelas, preferiu dar espaço para a representação da imobilidade social de uma classe cheia de aspirações frustradas. Cláudio Assis reuniu em 100 minutos de filme tudo o que há de mais grotesco e condenável nas ruas da periferia de Recife, e sua ousadia lhe rendeu uma infinidade de indicações e premiações em festivais brasileiros e internacionais.

Para Nachtergaele, "Amarelo Manga" fez mais do que oferecer um papel complexo e desafiador, e provavelmente também serviu de inspiração para a realização de um antigo projeto seu, imaginado durante as filmagens de "O Auto da Compadecida", no sertão paraibano. Cláudio Assis ainda ofereceu uma nova oportunidade para que o ator pudesse consolidar suas ideias e proporcionar ao público outra excepcional atuação, e lançou "Baixio das Bestas", em 2007, um retrato sombrio da miséria humana e da condição feminina na Zona da Mata pernambucana.

A semente estava plantada, e Nachtergaele teve a primeira oportunidade para demonstrar seu talento por trás das câmeras. Seu filme "A Festa da Menina Morta", lançado recentemente, é a prova irrefutável de que o cinema de Cláudio Assis continua rondando o seu imaginário. Com um elenco de peso, com nomes como Daniel de Oliveira, Jackson Antunes, Cássia Kiss e Dira Paes, o filme acompanha os preparativos para a Festa da Menina Morta, celebrada tradicionalmente em uma pequena cidade do interior amazonense. Santinho (Daniel de Oliveira) recebeu de um cachorro, há duas décadas, os restos do vestido de uma menina desaparecida, que todos os anos, em ocasião dos festejos, se manifesta através da boca do rapaz em transe.

Com um roteiro curioso, um time de atores competentes e o inegável talento de Nachtergaele, "A Festa da Menina Morta" já seria lançado com ares de obra prima. Mas logo que toda a ansiedade que envolvia sua apresentação se dissipa, o que mais chama atenção é a extrema crueza com tudo o que foi abordado. O cinema de Cláudio Assis está presente em cada sequência de A Festa, mas de uma maneira exageradamente bizarra. Nachtergaele não soube dosar o grotesco e colocá-lo como um apoio, uma complementação da narrativa, mas optou por protagonizá-lo e deixar tudo mais em segundo plano.

Personagens sujos, ambientes escuros e claustrofóbicos, comidas gordurosas, noções básicas de higiene deixadas de lado, animais sacrificados, grunhidos ensurdecedores, suor, sujeira. Tudo está excessiva e detalhadamente retratado no filme, que não oferece ao espectador um espaço para que possar digerir melhor o que acabou de ver. Somos apresentados ao homem pós-moderno que ainda vive em uma era pré-histórica, e isso não soa real. O personagem de Jackson Antunes mais parece um animal arredio, falando enquanto mastiga, deixando a comida escapar pelo meio da boca, e vivendo de maneira totalmente descompensada, como um verdadeiro troglodita. É possível imaginar o cheiro de tudo o que se vê, e não é algo agradável de respirar.

Quando sobra espaço e disposição para observar atentamente a atuação do núcleo protagonista, constatamos a qualidade do trabalho de seus atores, sobretudo Daniel de Oliveira, que no papel principal consegue transpor os limites entre sanidade e loucura de maneira magistral, e Cássia Kiss, que oferece aos espectadores toda a naturalidade de uma atuação minuciosamente estudada.

"A Festa da Menina Morta" funcionaria melhor como um documentário. A ambição de Nachtergaele por fazer um retrato naturalista dos costumes humanos acabou comprometendo um possível grande êxito como estreante na direção. A Festa não é um filme descartável, e certamente deve ser assistido. Sua história é curiosa, e seus minutos finais são realmente inquietantes. Igualmente curioso é o fato de alguém tão competente ter escorregado feio na primeira vez em que assumiu o controle de uma câmera.

Por: Jáder Santana, jornalista e colaborador do site Outro Lado da Notícia
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Será Verdade?

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O cinema de horror forçadamente amador, com câmeras caseiras e iluminação precária, não pode ser considerado uma vertente no gênero, dado o espaço vazio de lançamentos entre uma e outra produção. Seus exemplares, porém, agitam o mercado cinematográfico mundial, e costumam garantir bons retornos aos realizadores. A sensação, embora causada por uma produção conhecidamente forjada de um risco real documentado, é atraente para o espectador, cansado de efeitos especiais mirabolantes. O longa Atividade Paranormal, em cartaz em alguns cinemas brasileiros, promete colocar em destaque, mais uma vez, as discussões sobre os limites entre ficção e realidade.

Foi assim com A Bruxa de Blair, de 1999, que apostou em um estilo diferente para a época, embora arriscado. Com um custo de produção de apenas 50 mil dólares, arrecadou em todo o mundo cerca de 250 milhões de dólares, tornando-se recordista de lucros em bilheterias. A coragem dos ambiciosos diretores foi reconhecida pelos grandes estúdios e distribuidores, e o sucesso do filme fez história, sendo copiado e parodiado até hoje.

REC, a produção espanhola de 2007, também assombrou o público e a crítica especializada, arrecadando diversos prêmios ao redor do mundo e consolidando de vez o "documentário de mentira".

Assim como todos os gêneros, o falso documentário também possui seus exemplares vergonhosos, como Cloverfild - O Monstro, de 2008, uma tentativa fajuta de enxertar mais fantasia do que o genero é capaz de suportar. Colocar um monstro gigante em um formato de filme que preza pela aproximação com a realidade foi uma opção no mínimo impensada. Ninguém cogitou a possibilidade de que aquilo que estava sendo exibido fosse real. Não que os espectadores acreditem no enredo de REC ou a Bruxa de Blair, mas é inegável que em alguns momentos nos deixamos levar pela narrativa e esquecemos que estamos diante de uma ficção.

Atividade Paranormal, em pré-estreia nos cinemas nacionais, e com estréia definitiva prevista para o início de dezembro, é a febre do terror atual, justamente por não extrapolar os frágeis limites do gênero. A partir da história de um casal atormentado por inexplicáveis "energias" que rondam o ninho de amor durante a madrugada, o filme exibe o processo de intensificação dos fenômenos. Micah, o namorado, gastou metade o salário para comprar uma câmera profissional para filmar quaisquer fatos estranhos que acontecessem durante a noite. Cada vez mais encantado pelos mistérios que rodeiam o inexplicável, o rapaz acaba desconsiderando os pedidos da namorada, e leva seu documentário até as últimas consequências.

O filme não é um terror convencional, e o crescente clima de tensão consegue disfarçar qualquer clichê que seria perceptível em outras produções. Não existem monstros descontrolados ou músicas que disparam o coração, mas todas as sequências são milimetricamente pensadas para guiar o espectador até o final reconhecidamente original.

Os atores são competentes, embora a produção não deixe muito espaço para uma observação detalhada de seus atributos na interpretação. Os ápices dramáticos são filmados por uma câmera estática com uma deficiente iluminação noturna, no quarto do casal, o que dificulta qualquer análise profunda dos dotes artísticos dos personagens. O que importa é que eles conseguem desenvolver toda a tensão envolvida.

O que irrita, embora não comprometa a diversão que envolve Atividade Paranormal, é a edição repetitiva das sequências. Todo o filme parece ser uma montagem de dois tipos: a sala e a cozinha da residência, durante o dia, e o quarto do casal, durante a noite. Quando surge o primeiro raio da manhã, e o casal desenvolve suas atividades rotineiras, o espectador sabe que não podia esperar grandes momentos, e os níveis de tensão, catapultados durante a madrugada para níveis extremos, sofrem uma baixa que prejudica a narrativa. Orientar o público, embora involuntariamente, para que ele saiba o que pode esperar em cada cena, somente observando a hora do dia, foi uma falha que poderia ter sido minorada por um esforço técnico.

Atividade Paranormal é um êxito comercial, considerado seu orçamento limitado de 11 mil dólares e as projeções de lucros de cerca de 100 milhões de dólares que cercam a produção. Também é um êxito artístico, levando em conta a capacidade que possui de deixar tenso o público que assiste.

O documentário de mentira ainda é o sug-gênero que se destaca dentro das produções de horror. E que tenha longa vida se continuar lançando filmes como Atividade Paranormal.

Por: Jáder Santana, jornalista e colaborador do site Outro Lado da Notícia
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Assista, Ria, e Vá para Casa

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A nova animação da Sony Pictures Animation, Tá Chovendo Hambúrguer, estreou em setembro nos cinemas americanos e arrecadou cerca de 30 milhões de dólares na primeira semana de exibição, garantindo o primeiro lugar nas bilheterias e deixando para trás a esperada comédia de Steven Soderbergh, O Desinformante, e o filme de terror protagonizado pela atriz que permeia o sonho dos adolescentes deste final de década, Megan Fox, com Garota Infernal. Comparar os dois principais lançamentos de animação infantil do ano é inevitável, e o filme da Sony carrega qualidades e defeitos diferentes dos apresentados por Up - Altas Aventuras, da Pixar.

Tá Chovendo Hambúrguer é elétrico, quase inacompanhável por qualquer um com idade maior que 10 anos. Os diálogos são rápidos, as cores são intensas, e cada quadro é milimetricamente preenchido, causando certo incômodo no espectador. A profusão de imagens e vozes ágeis pode causar certa desorientação no início mas, após alguns minutos, as mentes enferrujadas vão se habituar, e quem assiste vai dar boas risadas.

A narrativa gira em torno do inventor Flint Lockwood, que sonha em construir algo pelo qual possa ser reconhecido pela população da pacata cidade de Boca Grande, fincada em uma distante ilha do Atlântico. Após sucessivas falhas, Flint desenvolve uma máquina capaz de transformar água em comida, para variar um pouco o cardápio do local, limitado às sardinhas pescadas. Por um acidente de operação, a geringonça é lançada aos céus, ficando presa entre camadas de ar e causando precipitações dos mais variados pratos, decididos através de um radar comandado pelo inventor.

Julgar Tá Chovendo Hambúrguer como incentivo ao consumo consciente e ao não-desperdício é se precipitar sobre uma animação que parece não ter grandes ambições. Tratá-la de forma negativa, como uma apologia ao consumismo desenfreado, também não é o melhor caminho. O filme não quer modificar ideias, e muito menos fomentar a necessidade de preservação das bases alimentares. Seu objetivo é bem menos nobre, resumindo-se à proposta fundamental da sétima arte, a diversão. A falta de embasamento ideológico, porém, não compromete a qualidade da produção, que é primorosa.

O casal protagonista é encantador, e torcer por eles é inevitável. Os personagens coadjuvantes garantem maior dinamismo ás cenas, e são bastante originais dentro de um mercado que parece não ter mais espaço para inovações. Bons personagens, uma ideia criativa (o roteiro é adaptado de um clássico infantil escrito em 1978) e uma direção de arte eficiente, tornam Tá Chovendo Hambúrguer um divertido programa de fim de tarde.

UP - Altas Aventuras é um filme melhor, mais bem produzido e ideologicamente embasado na relação entre o senhor e o garoto. Assisti-lo, porém, não garante as mesmas risadas da produção da Sony. O primeiro diverte, mas sempre com o ideal de emocionar e transmitir bons conselhos. O segundo não quer tanto, mas consegue te fazer chorar de rir.

Por: Jáder Santana, jornalista e colaborador do site Outro Lado da Notícia
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Cadê o Romance?

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O inglês Marc Webb é versátil no melhor sentido da palavra.Em seu currículo estão vídeoclipes de artistas diametralmente opostos em seu estilo musical. Desde o seu primeiro vídeo, em 1997, já dirigiu o guitarrista Santana, a cantora pop Anastacia, Backstreet Boys, 3 Doors Down, Good Charlotte, Green Day, Snow Patrol, Fergie, Regina Spektor, Miley Cyrus, entre inúmeros outros cantores e grupos musicais representantes da diversas escolas do som. Bom cumpridor do seu trabalho como sempre foi, recebeu prêmios em festivais ao redor do mundo, ficando sempre, porém, ofuscado pela pompa do artista cliente. No novo caminho que decidiu traçar, Webb está no primeiro plano.

Estreou em alguns cinemas nacionais, com previsão de ampliação para mais salas em breve, o primeiro longa de Webb, 500 Dias com Ela, uma comédia romantica que teria tudo para cair no ostracismo, não fosse a originalidade e diversidade que o diretor trouxe de seus antigos trabalhos.

O roteiro gira em torno de Tom (Joseph Gordon-Levitt), um apagado escritor de cartões comemorativos que se vê sem forças após levar um fora da namorada Summer (Zooey Deschanel). Ele inicia então, um tipo de regressão planejada, onde tenta reviver e analisar os dias que viveram juntos, na busca de um possível erro que, como o espectador vai descobrir, jamais existiu. Suas reflexões conseguem colocá-lo numa nova posição, mais confortável do que a que estava afundado, mas estranhamente distoante para um filme do gênero.

Os personagens do filme são a representação em imagens do conflito claro entre a frágil ideologia das comédias românticas convencionais e a consistência elaborada de filmes mais sérios. Tom é o típico personagem que acredita no amor, e viver por ele. Coloque na produção mais uma dezena de tipos semelhantes ao rapaz, e você terá um filme nada original, cheio de clichês e pieguices comuns ao gênero. Summer é a antítese da mulher apaixonada, afinal, ela não está disposta a trocar seu bom senso por uma paixonite que não tem muito o que oferecer.

E aí reside o diferencial colocado em prática pelas mãos hábeis de Webb. A personagem de Zooey Deschanel foge do estereótipo feminino, despolarizando a relação e deixando uma lacuna nas bases da comnédia romântica. Não que Summer seja uma amargurada, desiludida com o amor. Apenas pensa um pouco mais que os outros personagens de produções semelhantes. Ela enxerga com lógica o que é estar apaixonada, e não "segue a voz do coração" sem antes ponderar cada passo.

Summer é uma mulher normal, uma pessoa absolutamente comum que, assim como eu, como você, não sai pelas ruas gritando sua paixão e não perde noites de sono arquitetando vinganças infantis para a vizinha que olhou estranho para o namorado.

Para quem, mesmo assim, espera um final feliz, com uma reconciliação tardia, porém plenamente realizável do casal, sinto avisar que Webb resistiu ao clichê mais atrelado às produções comico-românticas e não cedeu ao sentimentalismo forjado. Não, eles não se reconciliam, e cada um toma um rumo diferente. Não que seja algo infeliz, é apenas a verdade, que acontece todos os dias comigo, e com você.

Por: Jáder Santana, jornalista e colaborador do site Outro Lado da Notícia
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