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De olho na Coreia do Norte

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No dia 07 de outubro de 2009 associações de direitos humanos pediram à comunidade internacional que aumente a pressão sobre a Coréia do Norte, a qual acusam de desrespeitar todas as convenções assinadas pelo próprio país. Segundo essas associações os abusos contra a população são comuns.

O pedido foi realizado na cidade de Genebra, na Suíça. O Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU realizará o Exame Periódico Universal (EPU) da Coréia do Norte, em dezembro, no qual organizações de direitos humanos, principalmente a Korean Bar Association (KBA), aproveitar-se-ão para organizar uma jornada de reflexão sobre o caos no país.

Cerca de 2.000 pessoas (dissidentes) deixam o país rumo à Coréia do Sul todos os anos, segundo dados da própria KBA. Segundo o advogado da associação, Kim tae Hoom, “a tortura é generalizada e é o método mais comum para a obtenção de confissões falsas. Não existe direito a um julgamento justo e o tratamento às mulheres é humilhante, com casos recorrentes de assédio sexual, estupros e abortos forçados".

Na Coréia do Norte as mulheres não podem usar calças nem tirar carteira de motorista. Há relatos de que o assédio sexual e a violência doméstica são práticas (crimes) bem comuns e que não são punidos nem combatidos pelo governo. "Na Coréia do Norte, existe a institucionalização da discriminação da mulher", relatou Um Young Sun, outra ativista da KBA.

Na sede da CDH também participou do debate Eun-hye Kim, uma norte-coreana que não utiliza mais o nome verdadeiro e que foi mantida por quatro anos em um campo de trabalhos forçados após tentar fugir do país pela China, aonde foi detida e repatriada.

“Éramos constantemente maltratados. Recebíamos cerca de 20 grãos de milho por dia de comida, o mínimo para que sobrevivêssemos. Também fui obrigada a me divorciar, sob o pretexto de que, se não o fizesse, meus filhos ficariam estigmatizados para sempre", declarou Kim, que completa: "Por causa dos trabalhos forçados e da fome, éramos como mortos-vivos. Não sei como consegui sobreviver".

Hoje ela mora na Coréia do Sul, sob identidade falsa, como milhares de outros norte-coreanos que fogem do país em busca de melhores condições de vida. A China não reconhece como refugiados os norte-coreanos que fogem do país, mas como imigrantes ilegais e os repatria, a não ser que mantenham a identidade oculta.

Ainda Segundo a KBA o grande problema dessa situação de fuga em massa é que os dissidentes ficam em situação de desespero, em um tipo de limbo legal, o que aumenta “o risco do tráfico de pessoas”.

Por: Roberto Lacerda Barricelli. Contato: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.