Virou moda agora falar em igualdade, seja racial, sexual, social ou outra qualquer. Mas onde está essa igualdade que tanto escutamos e que pouco vemos? Onde estão as escolas e universidades que possuem, sequer, um percentual aproximado de alunos negros e brancos? Quais são as empresas que pagam igualmente homens e mulheres que ocupam o mesmo cargo? Quais são as autoridades que dispensam o mesmo tratamento para ricos e pobres? É! Infelizmente instituições assim ainda são exceções, uma minoria em meio a um imenso mar de preconceitos e indiferenças, no qual estamos imersos até o pescoço.
Talvez você esteja pensando, “mas agora existem leis contra esse tipo de descriminação, há também políticas de cotas e outras ações afirmativas”. E eu sei disso, algumas já não eram sem tempo, mas até que ponto todas essas iniciativas representam um avanço real? Não me refiro a estatísticas, mas ao dia a dia, a nossa volta. Pois de que adianta ter tais direitos no papel enquanto nas ruas a intolerância ainda reside? Se continuamos sendo julgados por nossa aparência, nossas idéias, pelo local de onde viemos ou por qualquer outro detalhe que represente apenas uma fração daquilo que somos?
O preconceito e o medo do diferente sempre existiram e sempre existirão. A diferença é que hoje encontra-se pior, mais velado, mais hipócrita. Graças, muito em parte, a leis e políticas mal planejadas, adotadas de realidades segregadoras que, invés de nos unir, apenas limita e nos distancia. Não é a toa que nos países onde as leis de cotas foram idealizadas as bases sócias são constituídas por comunidades, quase sempre bem fechadas. Como, por exemplo, nos Estados Unidos, onde é muito comum encontrarmos bairros no qual a maioria da população é latina ou negra ou italiana e por ai vai.
Já no âmbito nacional, a questão é ainda mais complexa. Como determinar quem é branco, quem é pardo ou negro em um país cuja maior característica e principal riqueza seja justamente a miscigenação? E desde quando ser privilegiado apenas pela cor da pele ou pelo sexo nos traz igualdade em relação aos outros? O que tudo isso gera, na verdade, é a distorção e favorecimento através das fragilidades e brechas dessas políticas. Assim, vemos brancos se transformando em pardos, pardos em negros e vice-versa, desde que isso lhes garanta alguma vantagem. Tudo a sabor da conveniência. Enquanto isso, alguns oportunistas se vangloriam do sucesso dessas iniciativas, alegando que as estatísticas mostram que pessoas de determinada cor, sexo ou classe estão tendo maiores oportunidades e espaço socialmente. Todavia, a realidade se mostra bem diferente.
Então por que não falar em diversidade? Em oportunidades para as diferentes realidades em que cada um vive. Vamos lutar por opções que nos possibilite desenvolver nossas qualidades pessoais da melhor forma e não por aceitação, neste ou naquele grupo, por este ou aquele empurrãozinho.
Afinal, somos iguais porque somos todos diferentes.
Por: Bruno Zanette, Jornalista. Contato: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.



