
Custou-me compreender o preconceito, ainda não tenho certeza, mas pior é a hipocrisia, manto com o qual se camufla. É difícil combatê-lo, pois não é explícito, está mais para um inimigo invisível que está debaixo do nosso nariz, rindo e gabando-se. Todos são iguais perante a lei, mas só no papel, pois as pessoas que as aplicam não vêem, por vezes, desse jeito. As distinções entre o rico e o pobre, o branco e o preto e o culto e o analfabeto, amplia-se através do ser humano, pois é ele quem faz delas armas.
Na hora de julgar um pobre, por exemplo, não existe o conceito de que todos são inocentes até que se prove o contrário, se esse pobre também for preto e/ou favelado, é certo que será punido por algum crime que pode nem ter cometido. Já quando um rico comete algum crime a premissa acima citada é válida e, como esse tem condições de arcar com uma boa defesa, dificilmente será punido; salvo os casos de flagrante e de comoção pública.
O preconceito fica escondido, é complicado percebê-lo, pois as pessoas pregam uma moral e agem de acordo com outra, daí que volto a afirmar que a hipocrisia é a camuflagem do preconceito. Um preconceituoso não se mostrará assim, inclusive é bem capaz de discursar contra essa prática e no minuto seguinte fazer uso dela.
Já vem desde a infância, com exemplos de parentes, amigos e até professores que influenciam na formação de um “cidadão preconceituoso”. O preconceito passa despercebido até em termos comuns como “arma branca” ou “ovelha negra”. Para combatê-lo é necessário um grande esforço na conscientização dos cidadãos, mas as pessoas que deveriam fazer isso têm em si o preconceito instalado.
O professor de português que deveria orientar acerca do preconceito linguístico critica as variantes, os “imbecis que falam errado” e incentiva-o. O político, que deve prezar pelo povo, cospe na cara dos pobres e depois dá uma cesta básica “aos infelizes”. O policial, que tem que servir e proteger, desrespeita os direitos do cidadão. Não que todos sejam assim, mas a maioria...
O preconceito está escondido dentro da sociedade, mas atuante. No homem que ao ver um erro no trânsito diz “tinha que ser mulher”, no indivíduo que ao ver alguém de determinada etnia fazendo algo de errado diz “não nega a raça mesmo”, no dia-a-dia. Só quando as pessoas tomarem ciência desses pequenos atos, é que algo grande poderá ser feito para livrarmo-nos dessa “sina”.
Por: Roberto Barricelli






