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O inimigo invisível

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Custou-me compreender o preconceito, ainda não tenho certeza, mas pior é a hipocrisia, manto com o qual se camufla. É difícil combatê-lo, pois não é explícito, está mais para um inimigo invisível que está debaixo do nosso nariz, rindo e gabando-se. Todos são iguais perante a lei, mas só no papel, pois as pessoas que as aplicam não vêem, por vezes, desse jeito. As distinções entre o rico e o pobre, o branco e o preto e o culto e o analfabeto, amplia-se através do ser humano, pois é ele quem faz delas armas.

Na hora de julgar um pobre, por exemplo, não existe o conceito de que todos são inocentes até que se prove o contrário, se esse pobre também for preto e/ou favelado, é certo que será punido por algum crime que pode nem ter cometido. Já quando um rico comete algum crime a premissa acima citada é válida e, como esse tem condições de arcar com uma boa defesa, dificilmente será punido; salvo os casos de flagrante e de comoção pública.

O preconceito fica escondido, é complicado percebê-lo, pois as pessoas pregam uma moral e agem de acordo com outra, daí que volto a afirmar que a hipocrisia é a camuflagem do preconceito. Um preconceituoso não se mostrará assim, inclusive é bem capaz de discursar contra essa prática e no minuto seguinte fazer uso dela.

Já vem desde a infância, com exemplos de parentes, amigos e até professores que influenciam na formação de um “cidadão preconceituoso”. O preconceito passa despercebido até em termos comuns como “arma branca” ou “ovelha negra”. Para combatê-lo é necessário um grande esforço na conscientização dos cidadãos, mas as pessoas que deveriam fazer isso têm em si o preconceito instalado.

O professor de português que deveria orientar acerca do preconceito linguístico critica as variantes, os “imbecis que falam errado” e incentiva-o. O político, que deve prezar pelo povo, cospe na cara dos pobres e depois dá uma cesta básica “aos infelizes”. O policial, que tem que servir e proteger, desrespeita os direitos do cidadão. Não que todos sejam assim, mas a maioria...

O preconceito está escondido dentro da sociedade, mas atuante. No homem que ao ver um erro no trânsito diz “tinha que ser mulher”, no indivíduo que ao ver alguém de determinada etnia fazendo algo de errado diz “não nega a raça mesmo”, no dia-a-dia. Só quando as pessoas tomarem ciência desses pequenos atos, é que algo grande poderá ser feito para livrarmo-nos dessa “sina”.

Por: Roberto Barricelli

Lei do Arizona: racismo ou medo?

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A polêmica e criticada Lei do Arizona, que vigorará a partir de 29 de julho de 2010, criminaliza os imigrantes ilegais e permite às autoridades locais revistas a qualquer pessoa de “aparência suspeita”, ou que desenvolva “atividade suspeita”, ou seja, se tiver cara de estrangeiro, principalmente latinos, melhor evitar a polícia, mesmo que não esteja ilegalmente no país.

O Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, criticou a lei e disse que seu governo a acompanhará bem de perto, pois nenhuma pessoa pode ser posta sob “suspeita razoável”, como diz a lei, só por causa de sua aparência.

O Arizona tem muito problemas com a imigração ilegal e com tráfico de drogas, que causa certo temor na população, o que aparece como motivo mais provável para aprovação de uma lei discriminatória. Diversas cidades do EUA iniciaram boicotes ao Arizona depois que a lei foi sancionada pela Governadora do Estado, Jan Brewer.

O Presidente do México, Felipe Calderón, criticou duramente a lei, que coloca “às sombras” diversos imigrantes no Estado e piora a situação dos ilegais, que saíram em busca de uma vida melhor, segundo suas palavras. O Governo mexicano aconselhou seus cidadão a evitarem viagens à região.

De volta aos EUA, Obama afirma que “a lei é um esforço equivocado, uma expressão equivocada da frustração com o sistema de imigração falido e que criou temor em ambos os países (EUA e México)”.

Por: Roberto Barricelli.
Fonte: BBC Brasil

Uma foto do Holocausto que “nunca aconteceu”

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Bem, dizem que uma imagem fala mais do que mil palavras, então, disponibilizo abaixo uma imagem de algo que, segundo o Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, jamais aconteceu:

holocausto

Abaixo a (des)igualdade

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Virou moda agora falar em igualdade, seja racial, sexual, social ou outra qualquer. Mas onde está essa igualdade que tanto escutamos e que pouco vemos? Onde estão as escolas e universidades que possuem, sequer, um percentual aproximado de alunos negros e brancos? Quais são as empresas que pagam igualmente homens e mulheres que ocupam o mesmo cargo? Quais são as autoridades que dispensam o mesmo tratamento para ricos e pobres? É! Infelizmente instituições assim ainda são exceções, uma minoria em meio a um imenso mar de preconceitos e indiferenças, no qual estamos imersos até o pescoço.

Talvez você esteja pensando, “mas agora existem leis contra esse tipo de descriminação, há também políticas de cotas e outras ações afirmativas”. E eu sei disso, algumas já não eram sem tempo, mas até que ponto todas essas iniciativas representam um avanço real? Não me refiro a estatísticas, mas ao dia a dia, a nossa volta. Pois de que adianta ter tais direitos no papel enquanto nas ruas a intolerância ainda reside? Se continuamos sendo julgados por nossa aparência, nossas idéias, pelo local de onde viemos ou por qualquer outro detalhe que represente apenas uma fração daquilo que somos?

O preconceito e o medo do diferente sempre existiram e sempre existirão. A diferença é que hoje encontra-se pior, mais velado, mais hipócrita. Graças, muito em parte, a leis e políticas mal planejadas, adotadas de realidades segregadoras que, invés de nos unir, apenas limita e nos distancia. Não é a toa que nos países onde as leis de cotas foram idealizadas as bases sócias são constituídas por comunidades, quase sempre bem fechadas. Como, por exemplo, nos Estados Unidos, onde é muito comum encontrarmos bairros no qual a maioria da população é latina ou negra ou italiana e por ai vai.

Já no âmbito nacional, a questão é ainda mais complexa. Como determinar quem é branco, quem é pardo ou negro em um país cuja maior característica e principal riqueza seja justamente a miscigenação? E desde quando ser privilegiado apenas pela cor da pele ou pelo sexo nos traz igualdade em relação aos outros? O que tudo isso gera, na verdade, é a distorção e favorecimento através das fragilidades e brechas dessas políticas. Assim, vemos brancos se transformando em pardos, pardos em negros e vice-versa, desde que isso lhes garanta alguma vantagem. Tudo a sabor da conveniência. Enquanto isso, alguns oportunistas se vangloriam do sucesso dessas iniciativas, alegando que as estatísticas mostram que pessoas de determinada cor, sexo ou classe estão tendo maiores oportunidades e espaço socialmente. Todavia, a realidade se mostra bem diferente.

Então por que não falar em diversidade? Em oportunidades para as diferentes realidades em que cada um vive. Vamos lutar por opções que nos possibilite desenvolver nossas qualidades pessoais da melhor forma e não por aceitação, neste ou naquele grupo, por este ou aquele empurrãozinho.

Afinal, somos iguais porque somos todos diferentes. 

Por: Bruno Zanette, Jornalista. Contato: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

De olho na Coreia do Norte

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No dia 07 de outubro de 2009 associações de direitos humanos pediram à comunidade internacional que aumente a pressão sobre a Coréia do Norte, a qual acusam de desrespeitar todas as convenções assinadas pelo próprio país. Segundo essas associações os abusos contra a população são comuns.

O pedido foi realizado na cidade de Genebra, na Suíça. O Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU realizará o Exame Periódico Universal (EPU) da Coréia do Norte, em dezembro, no qual organizações de direitos humanos, principalmente a Korean Bar Association (KBA), aproveitar-se-ão para organizar uma jornada de reflexão sobre o caos no país.

Cerca de 2.000 pessoas (dissidentes) deixam o país rumo à Coréia do Sul todos os anos, segundo dados da própria KBA. Segundo o advogado da associação, Kim tae Hoom, “a tortura é generalizada e é o método mais comum para a obtenção de confissões falsas. Não existe direito a um julgamento justo e o tratamento às mulheres é humilhante, com casos recorrentes de assédio sexual, estupros e abortos forçados".

Na Coréia do Norte as mulheres não podem usar calças nem tirar carteira de motorista. Há relatos de que o assédio sexual e a violência doméstica são práticas (crimes) bem comuns e que não são punidos nem combatidos pelo governo. "Na Coréia do Norte, existe a institucionalização da discriminação da mulher", relatou Um Young Sun, outra ativista da KBA.

Na sede da CDH também participou do debate Eun-hye Kim, uma norte-coreana que não utiliza mais o nome verdadeiro e que foi mantida por quatro anos em um campo de trabalhos forçados após tentar fugir do país pela China, aonde foi detida e repatriada.

“Éramos constantemente maltratados. Recebíamos cerca de 20 grãos de milho por dia de comida, o mínimo para que sobrevivêssemos. Também fui obrigada a me divorciar, sob o pretexto de que, se não o fizesse, meus filhos ficariam estigmatizados para sempre", declarou Kim, que completa: "Por causa dos trabalhos forçados e da fome, éramos como mortos-vivos. Não sei como consegui sobreviver".

Hoje ela mora na Coréia do Sul, sob identidade falsa, como milhares de outros norte-coreanos que fogem do país em busca de melhores condições de vida. A China não reconhece como refugiados os norte-coreanos que fogem do país, mas como imigrantes ilegais e os repatria, a não ser que mantenham a identidade oculta.

Ainda Segundo a KBA o grande problema dessa situação de fuga em massa é que os dissidentes ficam em situação de desespero, em um tipo de limbo legal, o que aumenta “o risco do tráfico de pessoas”.

Por: Roberto Lacerda Barricelli. Contato: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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