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Como pagar rodovias?

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pedagioExiste trabalho gratuito? Absolutamente, não. Até voluntários de causas sociais decaem financeiramente. Construção, manutenção e operação de rodovias também acarretam custos. Não são de pequena monta. Pagar por estes é problema ao longo da História. Antes da era Cristã, viajantes babilônicos já eram cobrados pela passagem. Espalham-se pelo Império Romano barreiras de arrecadação. Nasce o pedágio.

Palavra não amada, ágio como desabonador sufixo. Pedágio, solução milenar para cobrir gastos do mais democrático transporte motorizado.

Outras soluções têm sido praticadas, como a administração direta governamental, sob impostos ou taxas. Não é marcada pelo sucesso. No Brasil de 1969, pedágios foram extintos após a aprovação da Taxa Rodoviária Única (TRU). Financiou a malha rodoviária nacional com arrecadação de 7% do PIB (Produto Interno Bruto). Recursos eram tomados de quem tivesse veículo rodoviário automotor. Sua defesa? Tem carro, usa rodovia. Qualquer togado a desqualificaria.

O forte crescimento da frota nacional nos anos 1980 exigiu vultosos recursos para rodovias e fez renascer os pedágios. Em 1985, o conflito com a TRU se resolveu com a substituição pelo Imposto sobre a Propriedade Veicular (IPVA). Os recursos estão desvinculados e se ampliou a base de contribuição para aviões e barcos. Imposto não tem aplicação específica como taxa. Muitos pagam IPVA e se indignam ao pagar pedágio, subentendendo bitributação.

Em 1988, novidade: selo-pedágio. Declarado inconstitucional em 1990, deixou por anos a marca da incompetência colada nos pára-brisas. Sequer centavos foram para a manutenção de rodovias ou devolvidos.

A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre combustíveis foi a última aventura federal na busca de recursos rodoviários, cujo capítulo final ainda não foi escrito. Ao se abastecer 40 litros de gasolina pagam-se R$ 9,20 de um pedágio no formato de bomba. Equivale pagar 2 centavos por quilômetro rodado. Barato, se seu montante estivesse nas rodovias federais. Apenas 20% dos recursos acumulados foram efetivados para rodovias.

A Desvinculação das Receitas da União (DRU) transfere recursos da CIDE para outros fins. Escárnio ao contribuinte. Lógica? Abastece, usa vias públicas. Outro erro. Estamos gastando cada vez mais combustível enquanto parados nas congestionadas vias. CIDE, como imposto sobre o tempo em que permanecemos parados no trânsito, em alusão aos que dizem que um dia nos taxariam o ar que respiramos.

Agiliza-se a cobrança do pedágio segundo um chip colado no para-brisa. Cobrança eletrônica em pedágios, estacionamentos de shoppings centers e aeroportos. A Resolução 212 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) obriga instalar chip como placa eletrônica segundo o Sistema Nacional de Identificação Veicular (Sinbiav). Prenúncio do pedágio urbano, apesar de sua justificativa abordar segurança e fluidez de tráfego.

Há o Shadow Toll, pedágio sombra, em que sensores contabilizam passagens veiculares. O governo paga a manutenção para empresa particular terceirizada, sobre a frota circulante. Não evita vícios da administração pública.

creso-franco-peixotoO valor do pedágio deve ser foco de amplo debate. O mais barato, em Gana, corresponde a R$ 0,01/km. Entre Nova York e Washington, R$ 0,10/km. Entre Paris e Lyon, R$ 0,15/km. Entre São Paulo e Rio, R$ 0,09/km. Valores diferentes para serviços diferentes. De Tóquio a Aomori, R$ 0,34/km, campeão justificado pela restrição de uso porque outros modais são excelentes.

Do legado de Heinlein, “o almoço não é de graça”, ajusta como contraposição aos críticos do pedágio, que se calam quando passam em rodovias livres. Pedágio com concessão particular, o modelo preferido em países desenvolvidos.

Por: Creso de Franco Peixoto (foto); Engenheiro Civil, mestre em Transportes e professor do curso de Engenharia Civil do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana).

Juntos, na mesma direção!

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silvia-alambertSabemos que as relações humanas podem ser conflitantes porque trata de saber entender o outro a partir das diferenças e também sabemos que cada um vem com suas crenças, seus pensamentos, seu conhecimento e que lidar com isso pode ser difícil em determinadas ocasiões. Tudo bem. Isto faz parte do crescimento humano para aprendermos a viver em uma sociedade "mais humana". É fato que alguém terá que ceder em determinados momentos para que a relação siga saudável. É fácil? Não! Se fosse simples, não haveria tanta empresa investindo em Gestão de Pessoas ou indivíduos buscando terapias para melhor compreensão de si mesmo e do próximo.

Quando conseguimos entender que o outro, tanto quanto nós mesmos temos necessidades e desejos diferentes do nosso e que é também um ser humano que está sujeito a erros, tendemos a ser mais tolerantes uns com os outros, mas não tem nada de fácil até alcançarmos este nível de compreensão porque é preciso que o outro também nos compreenda. O fato é que quando cedemos, ficamos com aquela sensação de que fomos convencidos a concordar com algo que lá no fundo discordamos, mas abrimos mão naquele momento e se isso realmente não for muito bem conversado e colocado, não ficar bem digerido, não faltará oportunidade para que logo a cobrança comece e frases como" eu deixo de realizar coisas para mim para o seu bem estar" fiquem ressoando como um eco no meio da relação.

Somos capazes de abrir mão em uma determinada vez, uma segunda, mas daí para frente começa a pesar, exatamente por que entendemos que uma relação deve ser feita da compreensão do ponto de vista de ambos e não só de um. Por conta da indigestão das colocações ao longo do tempo, da ausência de conversas diretas e objetivas sobre toda a relação é que as relações terminam e, quando uma das partes não quer ceder nunca, aí fica pior. Toda esta colocação é para compreendermos que a vida financeira de um casal deve ser tratada com o mesmo respeito e é também por isso que a educação financeira de crianças e jovens se faz necessária, porque eles irão crescer e se relacionar.

Um casal deve ser e estar aberto para conversar sobre as questões financeiras (embora seja inacreditável como pessoas consideradas maduras não gostem de conversar sobre situações financeiras).Ainda que vivam sob o mesmo teto, há muitos casais que não partilham sobre as questões financeiras de suas vidas com o outro, simplesmente porque um não quer ceder quando se trata de economizar para alcançar objetivos: partilham (ou não) as despesas da casa e o que sobra, cada um faz o que desejar e depois comunica (ou não) ao outro sobre o destino das finanças, nem que a sobra tenha ido para alguma aplicação. Embora pareça absurdo, é assim que a maioria dos casais vive.

Quando se trata de finanças, parece que os casais vivem vidas separadas ou como se fossem inimigos em campo de batalha. Há casos em que a pessoa ficou viúva e não sabia que o companheiro tinha dinheiro investido. Há casos em que roupas e sapatos comprados ficam escondidos por meses até serem usados. Há casos em que um dos cônjuges não comenta sobre suas aplicações. Há casos de cônjuges que se separam e depois descobrem que um dos parceiros tinha imóveis em nome de terceiros. Há casos em que um dos cônjuges perde dinheiro em aplicações e depois comunica a família que está quebrado. Há casos de parceira que entrega o dinheiro ao parceiro e é ele quem toma as decisões sozinho e tantos outros casos financeiros tratados como se o parceiro fosse um rival ou que nem existisse parceiro algum.

E, por mais incrível que ainda possa parecer, as pessoas preferem conversar sobre as atitudes financeiras de seus parceiros mais abertamente com os amigos a partilhar seus pensamentos com seus próprios parceiros. Você ainda tem dúvidas sobre a difícil arte das relações humanas? Da mesma forma que se conversa sobre situações rotineiras familiares, o presente e o futuro financeiro do casal deveria ser conversado, porque se as intenções  financeiras deixarem de ser comunicadas, se os objetivos de vida comum deixarem de ser expostos, a relação estará em risco.

Avaliar o nível de comunicação da relação é importante para se manter um relacionamento saudável em todos os aspectos. Esperar o momento mais delicado da relação para conversar (aliás, quem é mulher sabe o quanto a frase "precisamos conversar" significa para um homem...) pode ser mais desastroso.

Encontre espaço para conversar sobre o futuro financeiro com seu parceiro, nem que isto lhe pareça desconfortável. A grande arte de viver uma relação plena, está também em aprendermos a conviver com  o que nos é ou nos deixa desconfortáveis. Deixo a nobre frase de Antoine de Saint-Exupèry para que você reflita sobre para onde vai caminhado sua relação de parceria: O amor não consiste em olhar um para o outro, mas sim em olhar juntos para a mesma direção.

Por: Silvia Alambert;  Educadora financeira e Diretora-Executiva da The MoneyCamp no Brasil. Email: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Site: www.themoneycamp.com.br.

Atividade do comércio avançou 0,9% em julho, aponta Serasa Experian

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O Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio cresceu 0,9% em julho em relação ao mês anterior (junho/10), já descontadas as influências sazonais. O resultado positivo do mês de julho foi puxado pela alta de 5,3% no movimento do segmento de veículos, motos e peças que se recuperou da queda de 4,1% observada em junho. As promoções conduzidas pela rede varejista do setor automotivo foram determinantes para o desempenho favorável deste setor durante o mês de julho.

Os demais setores varejistas também evoluíram positivamente em julho, apresentando taxas de crescimento de 0,4% (móveis, eletroeletrônicos e informática) a 1,3% (tecidos, vestuário, calçados e acessórios).

tabela-comercio-07-2010

Na comparação anual, isto é, contra julho de 2009, o crescimento de 9,5% do movimento varejista foi puxado pelo segmento de material de construção (alta de 17,4%), seguido pelo ramo de móveis, eletroeletrônicos e informática (elevação de 13,0%) e pelo de veículos, motos e peças (avanço de 12,0%).

No período acumulado de janeiro a julho de 2010, a atividade do comércio registrou crescimento de 10,5%, liderada pelo segmento de veículos, motos e peças (17,6%), seguido de perto pelo de móveis, eletroeletrônicos e informática (17,2%). O setor de material de construção, com alta acumulada anual de 16,7%, também vem exibindo um excelente desempenho neste ano de 2010. Apenas o setor de combustíveis e lubrificantes ainda apresenta queda neste critério de comparação: -0,5% para o período acumulado de janeiro a junho de 2010 frente ao período equivalente de 2009.

Metodologia do Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio

O Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio é construído, exclusivamente, pelo volume de consultas mensais realizadas por estabelecimentos comerciais à base de dados da Serasa Experian.  As consultas (nas formas de taxas de crescimentos) são tratadas estatisticamente pelo método das médias aparadas com corte de 20% nas extremidades superiores e inferiores. Com as taxas de crescimento tratadas e ponderadas pelo volume de consultas de cada empresa comercial é construída a série do indicador. A amostra é composta de cerca de 6.000 empresas comerciais e o indicador, com início em janeiro de 2000, é segmentado em seis ramos de atividade comercial.

 

Serasa Experian

A Serasa Experian é líder na América Latina em serviços de informações para apoio na tomada de decisões das empresas. No Brasil, é sinônimo de solução para todas as etapas do ciclo de negócios, desde a prospecção até a cobrança, oferecendo às organizações as melhores ferramentas. Com profundo conhecimento do mercado brasileiro, conjuga a força e a tradição do nome Serasa com a liderança mundial da Experian.

Criada em 1968, uniu-se à Experian Company em 2007. Responde on-line/real-time a 4 milhões de consultas por dia, auxiliando 400 mil clientes diretos e indiretos a tomar a melhor decisão em qualquer etapa de negócio. É a maior Autoridade Certificadora do Brasil, provendo todos os tipos de certificados digitais e soluções customizadas para utilização da tecnologia de certificação digital e de Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e), tornando os negócios mais seguros, ágeis e rentáveis.

Constantemente orientada para soluções inovadoras em informações para crédito, marketing e negócios, a Serasa Experian vem contribuindo para a transformação do mercado de soluções de informação, com a incorporação contínua dos mais avançados recursos de inteligência e tecnologia.

www.serasaexperian.com.br

 

Experian

A Serasa Experian é parte do grupo Experian, líder mundial em serviços de informação, fornecendo dados e ferramentas de análise a clientes em mais de 90 países. A empresa auxilia os clientes no gerenciamento do risco de crédito, prevenção a fraudes, direcionamento de campanhas de marketing e na automatização o processo de tomada de decisão. A Experian plc também apoia pessoas físicas no gerenciamento de seus relatórios e scores de crédito e na proteção a fraudes de identidade.

A Experian plc está registrada na Bolsa de Valores de Londres (EXPN) e compõe o índice FTSE 100, que é o principal indicador do desempenho médio das cotações da Bolsa de Londres. A receita total para o ano fiscal encerrado em 31 de março de 2010 foi de US$ 3,9 bilhões. A empresa emprega cerca de 15.000 pessoas em 40 países e possui sede corporativa em Dublin, na Irlanda e sedes operacionais em Nottingham, no Reino Unido; em Costa Mesa, na Califórnia e em São Paulo, Brasil.

Para mais informações, visite http://www.experianplc.com

Por: Viviane Evangelista ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ), Assessoria de Comunicação do Serasa Experian.

Falso Cooperativismo

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falsidade-cooperativismoRegidas por regras próprias, as cooperativas de trabalho estão se tornando um exemplo de como uma ideia bem intencionada pode ser deturpada em benefício de uma minoria inidônea. Há tempos, estamos assistindo a proliferação de falsas cooperativas de trabalho que, por estarem isentas de obedecer às normas constitucionais, como as detalhadas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), encontraram um filão que, em última análise, prejudica os trabalhadores e exerce feroz concorrência desleal com as empresas sérias que prestam serviços nos mesmos segmentos.

Estas últimas, além de obrigadas a cumprir a CLT - oferecendo, portanto, emprego formal aos seus contratados - estão sujeitas às mesmas normas de qualquer empresa privada no país. Vale dizer, são empreendimentos que especializam seus funcionários e, mais relevante, arcam com os mesmos impostos, taxas, tributos e ônus burocráticos que a legislação impõe a todas as empresas em atuação no mercado brasileiro.

Não é o caso das falsas cooperativas de trabalho. Em flagrante burla à legislação, se valem de privilégios que só deveriam ser concedidos a organizações que, de fato, cumpram o requisito social básico de reunir trabalhadores em torno da união para a busca de mercado. Isto quer dizer que o principal objetivo das verdadeiras cooperativas de serviços é encaminhar seus associados para o trabalho de forma a assegurar-lhes suas necessidades. Dentro deste espírito, não cabe a figura do patrão e, sobretudo, é garantido o direito de distribuição de eventual lucro de maneira uniforme entre todos os cooperados.

Quando isto não ocorre, estamos diante de uma fraude, na qual só obtêm vantagens – e altos ganhos pessoais – os dirigentes das famigeradas cooperativas de fachada. Neste caso, não são dirigentes de cooperativas. São empresários de má-fé disfarçados de dirigentes. E que se utilizam de um falso cooperativismo para garantir benefícios particulares à custa das brechas da lei e práticas lesivas aos legítimos interesses dos trabalhadores.

Trata-se de ilegalidade inequívoca. Na verdade, cria-se uma intermediação de mão de obra, sem o pressuposto básico de gestão compartilhada e democrática entre todos os trabalhadores envolvidos, com o objetivo de fraudar a lei. Em suma, nada a ver com o verdadeiro cooperativismo – tudo a ver com a inaceitável locação da força de trabalho de supostos cooperados.

O expediente está se vulgarizando de tal forma, e ganhando contornos de ilicitude tão clara, que já chama a atenção das mais diversas autoridades. Em São Paulo, por exemplo, decreto do governo estadual deu um primeiro passo para coibir a prática do cooperativismo de fachada. O decreto, de nº 55.938, merece aplauso e deve ser visto como procedimento a ser seguido para se iniciar o combate a esse tipo de fraude.

Assinada pelo Governador Alberto Goldman, a nova legislação objetiva, em primeiro lugar, a salvaguarda dos direitos dos trabalhadores fixados na Constituição de 1988 e regulamentados pela CLT. E tem como fundamentação legal, além de manifestações do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, a decisão do Supremo Tribunal de Justiça que deliberou vetar participação de cooperativas em licitações de serviço que impliquem vínculo de subordinação.

Com essa base jurídica, o decreto veda a participação de cooperativas nas licitações promovidas pela administração direta do Estado em nada menos do que 15 segmentos de serviços, entre outros, limpeza, segurança, recepção, copeiragem, locação de veículos, secretariado e manutenção e conservação de áreas verdes.

São algumas das atividades nas quais a cortina de fumaça do falso cooperativismo já não conseguia mais esconder o verdadeiro propósito de deliberada burla à legislação e a apropriação indevida do trabalho alheio em proveito de intermediários de má-fé.

Com o decreto, o Estado de São Paulo não só sinalizou um caminho para estancar o desvirtuamento do verdadeiro espírito cooperativista nos serviços que os governos demandam. Alertou também aos tomadores de serviços da iniciativa privada que é hora de dar um basta aos que se utilizam do cooperativismo única e exclusivamente em conveniência própria.

Por: Vander Morales, Presidente da Asserttem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário) e do Sindeprestem (Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de Mão de Obra e de Trabalho Temporário no Estado de São Paulo).

Sobre Piadas e Topetes

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piadas-topete

“A mulher do português está à beira da morte e resolve confessar ao marido que o filho deles é de outro. Ele responde: 'Ora, pois, eu sempre soube'. Ela, surpresa, diz: 'Mas como você sabia?'. O marido responde: 'Ué, Maria, quando nós estávamos na maternidade você me disse para ir trocar o menino, que estava todo cagado!'. Ele realmente trocou o bebê. Por outro”. Esta é a piada favorita de Wilma Nogueira Prats, e fica ainda mais engraçada para ela quando é Francisco Prats, seu marido, quem a conta.


Histórias desse tipo podem ser encontradas no livro que conta a vida de Wilma. Mas não adianta procurá-lo em livrarias, sebos e afins. A obra foi produzida por Regina Rapacci Magalhães, dona da Biografias & Profecias, editora que escreve livros sob encomenda, e não está a venda. Somente 2 exemplares foram tirados – um está com Wilma, o outro com Regina.


Com capa lilás, título simples - “Wilma” -, papel chouchè, 111 páginas, cheio de ilustrações e fotos, o livro mostra os melhores momentos da vida da senhora de 69 anos, descendente de dinamarqueses, que certa feita queimou o álbum de figurinhas dos filhos Douglas e Shalimar porque um tinha a figurinha especial e o outro não, fato que gerava uma guerra entre os dois.


“A produção do livro me fez saber histórias de que nunca tive conhecimento”, diz Douglas Prats, consultor de lideranças. De fala mansa e gestos discretos, Douglas conta que gostou da experiência. “Ter ouvido pela primeira vez a minha vó dizer que o nascimento da minha mãe foi o momento mais importante da vida dela foi impagável”. Dado numa reunião de família, com a presença do marido, dos filhos e dos netos, o presente não precisou de data especial para ser entregue. “Ele foi feito em reconhecimento por tudo que minha mãe fez à nossa família”, diz Douglas.


À biografia de Wilma, seguiu-se a de José Antônio Preto, português ex-dono de padaria e ex-dono de posto de gasolina. Com o mesmo estilo do livro anterior, porém de capa preta, foi encomendado por Maurício Preto, filho de José, quando o pai completou 70 anos. “Tinha uma vontade imensa de homenageá-lo em vida, e o livro com a sua biografia foi perfeito”, diz Maurício, diretor de marketing de uma empresa de lubrificação e manutenção industrial.


Depois, vieram os livros sobre Mário César Araújo, ex-presidente de um grande grupo na área de telefonia – este um livro mais robusto, com 313 páginas, encomendado por sua filha Clarisse. “Eu tinha umas reportagens, umas fotos guardadas do meu pai, e queria organizar e fazer uma recordação para ele”, diz Clarisse. Gilberto Garcia, gerente numa distribuidora de produtos para construção, encomendou um livro sobre os pais, Hélio e Mafalda, por ocasião da boda de ouro deles. “Gosto de registrar as coisas da família, achei que seria um presente inovador aos meus pais, e, ao mesmo tempo, estava resgatando a memória deles”. Todos os biografados só souberam da existência do livro no dia da entrega.


O livro de dona Wilma foi o primeiro de Regina. Tudo começou em 2006, depois de uma sequência de acontecimentos ruins. Em julho, a mãe, Maria de Lourdes Puccinelli Rapacci, morreu após sofrer de afecção dermatológica, doença cujo sintoma se dá com o surgimento de bolhas na pele que, quando explodem, deixam o lugar em carne viva. Em setembro, foi despedida do banco onde trabalhava como gestora do setor de televendas. Alegação do superior: era humana demais para trabalhar num banco. “Foi uma porrada atrás da outra. Fiquei com a alma à flor da pele”.


No mês seguinte, Regina iria se casar, mas estava perdida o suficiente para não dar prosseguimento à cerimônia. Foi aí que apareceu uma figura importante: a irmã mais velha, Ana Maria. “Ela acabou sendo minha mãe. Sem ela, o casamento não teria acontecido”, diz Regina. Em homenagem à irmã, ela escreveu um livro, baseado em diários que a mãe deixou sobre as duas.


Regina gostou, e resolveu que faria disso o seu trabalho. Começou o negócio sem nenhum tipo de estudo, ignorando a leitura de biografias e livros-reportagem – recentemente ela concluiu pós-graduação em Jornalismo Literário. “No começo eu não sabia direito que tipo de negócio era aquele, mas tive certeza de que queria fazer isso da vida”. Regina não queria ser ghost-writer – tinha de ser algo que ela apurasse, sem abrir concessões, mas também evitando polêmicas e pontos desagradáveis. Por conta disso, todos os biografados afirmam que ficaram satisfeitos com o resultado.


Douglas Prats foi o primeiro a receber uma proposta formal. A princípio, recusou. “Achei a proposta barata demais e mandei a Regina refazer”, lembra Douglas. Regina acatou a recomendação, mas o salto não foi tão grande: dos 3 mil reais iniciais, o livro de Wilma foi fechado por 4 mil. (Hoje, um livro custa entre 15 mil e 40 mil reais).


Uma equipe de free-lancers faz o design e a revisão. A concepção, o texto, a parte de pesquisa histórica e a escolha de fotos é de Regina, junto com o cliente. O trabalho não a incomoda. Pelo contrário. Bonita, sempre arrumada e sorridente, ela se empolga ao falar do que faz.


Regina diz que não se trata de terapia biográfica nem de um “tratado de canonização”. Mas as obras da Biografias & Profecias passam longe do rigor de objetividade encontrado em biografias convencionais. “A idéia é que o livro gere movimento”, diz. Por “gerar movimento”, entende-se: quem ler qualquer um dos livros deve tirar uma lição. “E, para mim, o que importa é a riqueza dos encontros que promovo entre as pessoas e as histórias que ouço e registro. O livro é só uma consequência”, diz.


O próprio esquema de entrevistas de Regina é diferenciado. Ao invés do tradicional pergunta-e-resposta, ela usa cartões decorados com desenhos, com os temas que serão abordados. O entrevistado escolhe o assunto de que quer falar naquela hora, e a conversa se desenvolve a partir daí. “Esse é um jeito de me aproximar da pessoa, de quebrar o gelo”. Só não usou esse método no último livro que fez, sobre um figurão do ramo têxtil, o primeiro com participação direta do biografado. “Se eu fosse conversar com ele com cartõezinhos, não ia rolar”.


Até agora, Regina só escreveu sobre anônimos, e apenas por falta de oportunidade. Um famoso em especial lhe desperta curiosidade. “Adoraria saber o que tem por trás do topete do Roberto Justus. Ele é muito certinho...”, diz. Regina escreveria um livro sobre ele, se pudesse colocar tudo que encontrasse. Justus já tem um livro, escrito por um ghost-writer. E, nele, está com o topete mais armado do que nunca.


Por: Leandro Vieira ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ).

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